

Spellbound, em português A Casa Encantada, é um dos filmes de Alfred Hitchcock que tomam como ponto de referência a psicanálise, e o meu preferido, mesmo reconhecendo a superioridade formal de Vertigo, A Mulher que Viveu Duas Vezes. Grande parte do fascínio que sobre mim exerce este filme provém da sua banda sonora, da autoria do compositor americano de origem húngara Miklós Rózsa. Rózsa ganhou três Óscares pela melhor composição original, por Spellbound em 1945, A Double Life em 1948, e Ben-Hur em 1959, para além de ter recebido dez nomeações para o mesmo troféu.
a desde cedo seguiu o exemplo de compositores de vanguarda seus conterrâneos, como Béla Bartók e Zoltán Kodály, anotando nas aldeias à volta de Budapeste canções populares húngaras que viriam a influenciar decisivamente a sua obra. Começa a estudar violino com cinco anos de idade, e em 1926 estuda música no Conservatório de Leipzig, onde tem como professor de composição Hermann Grabner, discípulo de Max Reger. A formação académica alemã, que se reflecte na predilecção pelo contraponto e fuga, liga-se até ao fim da sua carreira com o sentido melódico herdado da música popular húngara. Este sentido melódico canaliza igualmente outras influências na obra de Rózsa, tais como Richard Strauss, Claude Debussy e Maurice Ravel.
-se do campo magnético. É um dos poucos instrumentos musicais que os músicos tocam sem contacto corporal com o instrumento. Foi inventado em 1919 pelo professor de Física russo L. S. Termen (1896-1993), que mais tarde adoptou o nome ocidental Leon Theremin. O teremim foi apresentado em 1921 em Moscovo ao 8º Congresso de Electrotecnia da União Soviética. Em 1928, Theremin conseguiu uma patente para o instrumento nos EUA. Em 1929 foi fabricado em Leipzig um "Aetherophon", uma outra designação para o teremim.
O tema musical ambivalente de Spellbound espelha a ambiguidade sexual: a cena citada em baixo, o primeiro beijo dos protagonistas, com as portas abrindo-se para o infinito, a afirmação mais dramática do tema lírico, é imediatamente seguida pelo tema tocado no teremim, quando John começa a ver linhas paralelas no roupão de Constance. A cena repete-se mais tarde na cena em casa de Alex, com a música a sublinhar mais uma vez o padrão de atracção e repulsa. Como se os dois, amnésia e enamoramento, ligassem o ser humano a uma
época arcaica, primordial, que foi esquecida e reprimida e por isso se tornou "unheimlich", estranha, ameaçadora, inquietante (Freud foi na verdade buscar o termo "unheimlich", que designa o que foi outrora familiar, conhecido, íntimo, aos escritos do filósofo romântico alemão Schelling: o prefixo mostra, em língua alemã, a marca do recalcamento ou repressão), como se amnésia e enamoramento tivessem a mesma raiz psíquica, concluo eu...Fonte principal:
Jack Sullivan, Hitchcock's Music. New Haven and London: Yale University Press, 2006.
